terça-feira, 5 de julho de 2011


Quem, por mais entendido que seja, se atreve a definir o amor? Essa não é uma tarefa fácil. Afinal,  toda definição é uma delimitação. Por isso aquilo que é sublime não cabe em palavras. Assim é o amor. Sentimos, conhecemos, desfrutamos, mas não conseguimos defini-lo.  Sua abrangência e essência sempre extrapolam nossas melhores aproximações verbais.

Porque o amor une em si mesmo necessidade e complexidade, muitos não se conformam em tê-lo indecifrável, e se lançam no desafio extremo de tentar defini-lo. Entre os inconformados com os mistérios do amor, e com merecido destaque, está Luis Vaz de Camões, reconhecido poeta português do século 16. São deles os versos do famoso soneto, no qual ele luta em doloroso paradoxo: “Amor é fogo que arde sem se ver/ É ferida que dói e não se sente/ É um contentamento descontente / É dor que desatina sem doer; (….)”.  A poesia é bonita, mas o resultado é frustrante. Camões afirma que o amor seria exatamente aquilo que não pode ser. Por isso, no último verso, ele pergunta como algo tão contraditório pode encontrar guarida no coração…. “ Mas como causar pode seu favor /  Nos corações humanos amizade, / Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

A frustração de Camões tem explicação. Ele deseja entender o amor tendo o homem como ponto de referência. Acontece que, partir do homem para compreender o amor é pegar um atalho enganoso, pois o homem se beneficia e compartilha, mas nunca produz o amor. A fonte verdadeira para o amor é a pessoa de Deus, a partir de Quem se sustentam, não apenas o amor, mas a beleza, a bondade, e todas as demais virtudes que dão sentido especial à vida. Na sua busca pelo sentido do amor, Camões pegou um atalho errado e não chegou a lugar algum.

A Bíblia diz claramente que “Deus é amor”. A Bíblia não diz que Deus é o amor, pois isso esvaziaria Sua individualidade e personalidade. “Deus é amor” significa que na Sua essência o amor figura como uma das virtudes fundamentais. Tudo que Deus faz, permite e pensa está permeado pelo amor. Deixar de amar, seria negar a Si mesmo, o que é impossível.

Falando da grandeza do amor de Deus, João, o discípulo amado, nos diz: “Ninguém tem maior amor que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo. 15:13).  Isso deixa claro que o padrão do amor é o Filho de Deus, que chegou ao máximo na expressão de amar. Qualquer outro ato de amor, por maior que seja, jamais superará o amor de Cristo. Assim, se alguém deseja entender e viver o amor, precisa conhecer o Filho de Deus, cujo amor é inigualável. Paulo enfatiza a sublimidade do amor de Deus afirmando que esse amor “excede todo entendimento”. Em outras palavras, não há nada dentro dos domínios da humanidade que justifique o verdadeiro amor.

O amor dá sentido à vida. Cristo dá sentido ao amor. Esse amor que escapa aos versos dos poetas e às mais profundas reflexões filosóficas encontra-se no Filho de Deus, que suportou a própria cruz por amar.

A serviço do Mestre,

[Pr. Jenuan Lira]

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