quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MÚSICA DEVERIA EXPRESSAR A VERDADE DO SENHOR


"Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão, em vossos corações" (Cl 3.16). Esse versículo é uma grande declaração do Novo Testamento concernente à mú­sica cristã. O que ela nos diz sobre o assunto?
MÚSICA DEVERIA SER DOUTRINÁRIA. O que Paulo quer dizer com a frase: "a palavra de Cristo"? O que quer que seja, está obviamente relacionado com a música na igreja. Essa frase se refere aos ensinos sobre Jesus Cristo e Sua obra, especialmente os transmitidos pelos apóstolos. A "palavra de Cristo" era a mensagem sobre Cristo que estava sendo procla­mada no mundo pela Igreja primitiva. Agora, aquela mensagem está escritu­rada no que conhecemos como o "Novo Testamento". Desse modo, hoje ela não é para nós uma palavra oral, mas escrita. Poderíamos expressar aquele pensamento mais ou menos assim: "Habite em vós o ensino escrito sobre Cristo enquanto cantais".
Isso nos dá uma informação importante sobre a nossa música. Diz-nos que conhecimento bíblico e música cristã andam de mãos dadas. Em outras palavras, música que honra a Deus deve ser teologicamente correta. Pouca coisa há de mais desconcertante para um crente bem instruído do que mú­sica que expressa conceitos não bíblicos. Com que fervor crentes pré-milenistas cantam,
Não pelo alto estalido das espadas
Nem pelo barulho dos tambores.
Com obras, de amor e ternura!
O reino do céu vem.
Dificilmente se acharia uma declaração mais clara sobre o que é co­nhecido como "pós-milenismo" do que essa, mas – que importa? - ela soa bem, não é?
Leonard Seidel, em seu excelente livro, observa:
Houve um tempo em que a música para a igreja era escrita por teólogos, professores e pastores que trabalhavam com as Escrituras e as compreen­diam. Que contraste com o conhecimento raso de muitos dos escritores de música hoje...! (Face The Music [Encare a Música], p. 121).
É profundamente lamentável que muitos autores da música cristã atual, não saibam teologia suficiente para encher um dedal. E, além do mais, muitos deles pouco se preocupam sobre o conteúdo teológico do que escrevem. Eles estão interessados em vender o seu produto, em satisfazar o apetite de crentes superficiais que sabem pouca doutrina e nem estão preocupados com isso. O que o escritor de música está procurando é por al­go que divirta os ouvintes, que tenha uma pequena melodia que "grude" na mente e que vá para o topo da relação dos "best sellers" "cristãos". Sua causa é grandemente incentivada pela enorme receptividade àquele tipo de música por parte dos crentes americanos. (Nota do Tradutor: E bem pode­ríamos complementar: "e de muitos crentes brasileiros").
Músicos religiosos de hoje em dia estão geralmente mais preocupados sobre a "atualidade" da música do que sobre o seu caráter bíblico. "Deve­mos nos adaptar para os estilos musicais que os jovens gostam, se have­remos de ganhá-los para Cristo", é o brado comum. Absurdo! O grande Deus do céu não está limitado ao uso dos estilos musicais do mundo para converter os perdidos. Seu Espírito Santo está bem habilitado a quebrar os corações duros dos jovens tanto quanto os das pessoas idosas, e a trazê-los para um conhecimento salvador do Seu Filho, sem empregar técnicas musi­cais agressivas e ímpias.
Muitas canções religiosas modernas e populares não tem virtualmente qualquer mensagem bíblica identificável. Um artista popular desses dias gravou um sucesso intitulado. "O Céu é o Limite". Um comentário numa re­vista atual declarou que ele "aborda o tema de que nós, como indivíduos, podemos fazer qualquer coisa quando colocamos nossas mentes a reali­zá-las, porque o céu é o limite" (Tim Smith, Contemporary Christian Maga­zine, "Music/Records", Maio, 1984, p. 39). Que conceito completamente anti-bíblico é este; e apenas um exemplo de muitos outros que poderiam ser ci­tados.
Muitos hoje estão inclinados a partirem do Espírito para a Palavra no intuito de formular uma teologia, em vez de partirem da Palavra para o Espí­rito. Um escritor evangélico colocou o assunto desse modo:
A receita que está cada vez mais sendo emitida pelo evangelicaíismo é esta: se a Igreja vai alguma outra vez estabelecer uma teologia relevante e adequada, ela precisa começar não com reflexão sobre a pessoa de Cristo, mas com reflexão sobre a nossa experiência com Ele através do Espírito Santo (Roberí K. Johnston, "Da Doutrina Bem Arranjada e Experiência Trun­cada", Christianity Today, 18/2/77).
Mas música que começa com experiência não é o tipo de música aprovada pelo apóstolo Paulo nesse ensino sobre princípio em Colossenses 3.
MÚSICA DEVERIA SER DIDÁTICA. Música que honra a Deus de­veria instruir o crente. Essa é a ênfase de Paulo: "Instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hi­nos e cânticos espirituais. . ." (Cl 3.16). As duas palavras que ele emprega relacionando o ensino com a música são muito apropriadas. "Instrução" tra­duz a palavra didaskolos, que joga ênfase sobre o intelecto. Adiante deve­remos dizer mais sobre esse aspecto da música. A palavra "aconselhai-vos" tem ênfase; sobre a vontade e significa "transmitir conhecimento, especialmente com uma influência corretiva". "Algumas músicas 'cristãs' de hoje são tão obscuras em termos de conteúdo espiritual, que seu significado torna-se perdido para todos, exceto para os mais criativos." (John Styll num editorial citado em Christianity Today, 2/10/87, p. 59). Um escritor evangélico comen­ta:
Os garotos estão sempre me dizendo que "Rock Cristão" é usado para falar do Senhor às pessoas. Mas a maioria dos rock evangélicos não contêm qualquer mensagem. Grande parte das canções de artistas que querem agradar a todo mundo podem ser interpretadas de duas maneiras, de modo que eles ficam em condições de entrar tanto no mercado secular quanto no evangélico. No máximo, sua mensagem é vaga e obscura. (Citado no Fundamentalista Journal, Fevereiro, 1986, p. 21).
Os crentes geralmente aprendem mais sobre doutrina cristã das músi­cas que eles cantam do que dos sermões que ouvem. Por isso o tipo de canções utilizadas numa igreja local é extremamente importante. Mesmo que não consideremos a participação no programa musical de uma igreja como uma experiência de aprendizado, definitivamente ele é. A música de uma igreja local deve estar alinhada com a sua posição doutrinária e com a exposição bíblica pregada do púlpito.
Uma das queixas de muitos dirigentes de música e pastores é que o gosto musical das congregações é fraco e que elas se satisfazem com um baixo padrão de música. Sem dúvida isso é verdade. Mas a esses crentes deve ser ensinada música, tanto quanto é ensinada a Palavra. Seus padrões devem ser gradualmente elevados através de um trabalho paciente e o uso correio de música de qualidade.
Um dos tristes efeitos do uso de boa parte da música cristã atual é o desenvolvimento de um apetite entre os crentes pelo que é medíocre e pelo que é sensacional. A indústria da música comercial não se especializa em produzir música de grande profundidade e qualidade. Ela é feita para alcan­çar a mais vasta audiência possível. Nem ela hesita em empacotar música para o consumo do público cristão num contexto de mostruário de luzes deslumbrantes, roupas cintilantes, trilhas sonoras ensurdecedoras, e outras variedades de truques. Pastores e líderes crentes devem procurar de manei­ra regular e harmoniosa vencer essa exibição da carne educando seu povo pelas Escrituras e, pelo uso de boa música, desenvolver o gosto deles por boa música. Lembre-se – música tem um poder de ensino que é inerente a ela. Congregações podem amadurecer em seus gostos à medida em que são ensinadas sobre o que é certo e em que são desafiadas para alvos mais elevados.
Não podemos esperar que essa geração seja receptiva a hinos ricos em conteúdo, a não ser que eles sejam cuidadosamente ensinados e utilizados de maneira convincente. A reação emocional do tipo superficial-mas-agradável aos corinhos decorrem da repetição de umas poucas e simples frases. Os que esperam que a adoração seja mais sensata e racional, devem, pacientemente e com amor, colocar seu povo em contato com as fontes de emoção mais profundas das palavras que realmeníe irão desafiar e estimular a imaginação. Textos de grandes hinos tem feito isso desde o século dezesseis e eles ainda tem o poder de assim fazer... (Donald Hustad, "Vamos Não Apenas Louvar o Senhor", Christianity Today, 6/11/89).

CONTINUAREMOS NOS PROXIMOS DIAS...

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