segunda-feira, 19 de julho de 2010

CONHEÇA MAIS SOBRE ANSIEDADE SEM FICAR ANSIOSO


Devemos considerar a ansiedade uma ocorrência fisiológica e normal na existência humana. A ansiedade é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo a uma nova situação. Em medicina, entende-se a ansiedade como uma ocorrência global, tanto do ponto de vista físico, quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre a ansiedade estudaram uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.
Fisicamente a ansiedade aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, tal como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, diante de uma situação entendida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido a uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar para adaptar-se, conseqüentemente, sobreviver. Portanto, a ansiedade é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável, pois, à sobrevivência.
          Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante. De frente para o perigo, nosso rendimento físico ampliado pela ansiedade faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo para nos colocar em posição de alerta ou alarme, o ser humano facilmente seria destruído.
Apesar da ansiedade favorecer a performance e a adaptação, ela faz isso até certo ponto. Até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. A partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa. Nesse ponto crítico, onde a ansiedade foi tanta que já não favorece a adaptação, ocorre o esgotamento da capacidade adaptativa.
Ao longo da história, esse mecanismo foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida, como as ameaças de animais ferozes, guerras tribais, intempéries climáticas, busca pelo alimento, luta pelo espaço geográfico, etc. No ser humano moderno, apesar dessas ameaças concretas não mais existirem em sua plenitude, tais como existiram outrora, o equipamento biológico continuou existindo, persistiu em nossa natureza a capacidade para reagirmos ansiosamente diante das ameaças.
Com as mudanças sócio culturais do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos antepassados. Hoje em dia tememos a competitividade social, a segurança social, a competência profissional, a sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e uma infinidade de ameaças abstratas, mas reais para nós. Enfim, tudo isso passou a significar a mesma ameaça de perigo que na vida dos nossos antepassados ameaçavam as questões de sobrevivência.
Se, na antigüidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha um determinado objeto real à combater (fugir ou atacar), localizável no tempo e no espaço, hoje em dia esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças vivem, dormem e acordam conosco. Se, em épocas longínquas o coração palpitava, a respiração ofegava, a pele transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos estressados diante da invasão de uma tribo inimiga, coisas bastante esporádicas, hoje em dia nosso coração bate mais forte diante do desemprego, dos preços altos, das dificuldades para educação dos filhos, das perspectivas de um futuro sombrio, dos muitos compromissos econômicos cotidianos e assim por diante. Como se vê, hoje nossa ansiedade é continuada e crônica. Se a adrenalina antes aumentava só de vez em quando, hoje ela está aumentada continuadamente.
A ansiedade aparece em nossa vida como um sentimento de apreensão, uma sensação de que algo está para acontecer, um contínuo estado de alerta e uma pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos. Desse jeito, nosso domingo tem uma apreensão de segunda-feira e a pessoa, antes de dormir, já pensa em tudo que terá de fazer quando o dia amanhecer. É a corrida para não deixar nada para trás, só nossos concorrentes. É um estado de alarme contínuo e uma prontidão para o que der e vier. As férias são completamente tranqüilas e festivas apenas nos primeiros dias mas, logo em seguida, começamos a nos agitar: ou porque sentimos que não estamos fazendo alguma coisa que deveríamos fazer mas não sabemos bem o que, ou porque pensamos em tudo aquilo que teremos de fazer quando as férias terminarem.
A natureza foi generosa, oferecendo-nos a atitude da ansiedade ou stress, no sentido de favorecer sempre nossa adaptação. Porém, não havendo período suficiente para a recuperação desse esforço psíquico, o qual restabeleceria a saúde, ou ainda, persistindo continuadamente os estímulos de ameaça e que desencadeiam a ansiedade, nossos recursos para a adaptação acabam por se esgotar. O esgotamento é, como diz o próprio nome, um estado onde nossas reservas de recursos para a adaptação se acabam. Há no esgotamento, organicamente, alterações significativas nas glândulas supra-renais (de adrenalina e cortisona), há dificuldades no controle da pressão arterial, há alterações do ritmo cardíaco, alterações no sistema imunológico, no controle dos níveis de glicose do sangue, entre muitas outras.
Psiquicamente a ansiedade crônica ou esgotamento leva à um estado de apatia, desinteresse, desânimo e uma espécie de pessimismo em relação à vida. Eis o porquê a bíblia aconselha:
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” ( I Pd.5.7- RA)
“Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês”. ( I Pd.5.7 - NTLH)

Quando nã obedecemos a esta exortação, passamos a conviver com a ansiedade patológica.   Deus nos oferece uma saída. A outra, é ir ao consultório de um profissional habilitado e pedir um ansiolítico ( Benzodiazepínicos).

texto adaptado por Valdir Gomes.

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